A ACÇÃO
em Memorial do Convento, de José Saramago
A acção principal é a construção do convento de Mafra. Esta acção resulta da reinvenção da História pela ficção. Situando-se no início do século XVIII, encontra-se um entrelaçamento de dados históricos (como o da promessa de D. João V de construir um convento em Mafra) e os do sofrimento do povo que nele trabalhou. Conhece-se a situação económica e social do País, os autos-de-fé praticados pela Inquisição, o sonho e a construção da passarola voadora pelo padre Bartolomeu de Gusmão, as críticas ao comportamento do clero, os casamentos da infanta D. Maria Bárbara e do príncipe D. José.
Paralelamente à acção principal, encontra-se uma acção que envolve Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas. São estas personagens que estabelecem, muitas vezes, o fio condutor da intriga e que lhe conferem fragmentos de espiritualidade, de ternura, de misticismo e de magia. A centralidade conferida às obras do convento e os espaços sociais de Lisboa ou de Mafra dão frequentemente lugar a uma uma intriga de profunda humanidade trágica.
As duas acções voluntariamente surgem em fragmentos que se reconstituem por encaixes vários e recriam situações, costumes, tradições…
SEQUÊNCIAS NARRATIVAS
- Relação rei / rainha e a promessa da construção do convento em Mafra.
- Os milagres conseguidos pelos franciscanos e o seu desejo na construção do convento.
- A situação sócio-económica: excesso de riqueza / extrema pobreza.
- Baltasar Sete-Sóis regressa da guerra, maneta; chega a Lisboa.
- O auto-de-fé e o conhecimento travado entre Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu.
- Nascimento da filha de D. João V, Maria Bárbara.
- Os poderes de Blimunda: ver dentro dos corpos.
- Nascimento do segundo filho de D. João V, o infante D. Pedro.
- Escolha do alto da Vela, em Mafra, para edificar o convento.
- O padre Bartolomeu Lourenço parte para a Holanda, enquanto Sete-Sóis regressa a Mafra, a casa dos pais, acompanhado de Blimunda.
- Nascimento do infante D. José, terceiro filho da rainha.
- Doença do rei, enquanto seu irmão D. Francisco tenta seduzir a cunhada.
- Regresso do padre Bartolomeu, que deseja que Blimunda consiga armazenar éter composto de “vontades”.
- Inauguração da primeira pedra do convento, a 17 de Novembro de 1716.
- Regresso de Baltasar e Blimunda a Lisboa, onde começam a trabalhar na passarola.
- O músico Scarlatti, que ensina a infanta Maria Bárbara, toma conhecimento do projecto da passarola.
- A epidemia de cólera e de febre-amarela e a recolha das “vontades” por Blimunda.
- A concretização da viagem da passarola voadora, com o padre Bartolomeu, Baltasar e Blimunda.
- O regresso de Baltasar com Blimunda a Mafra, onde começa a trabalhar nas obras do convento, e a núncio da morte do padre Bartolomeu em Toledo.
- Caracterização dos gastos reais e dos trabalhadores em Mafra.
- Baltasar torna-se boieiro e participa no carregamento da pedra do altar (Benedictione), verificando-se, durante o transporte, o esmagamento de um trabalhador.
- Decisão de D. João V de que a sagração do convento se fará a 22 de Outubro de 1730, data do seu aniversário.
- Casamento da infanta D. Maria Bárbara com o príncipe Fernando VI de Espanha e do príncipe D. José com a infanta espanhola D. Maria Vitória.
- Baltasar vai ao Monte Junto e desaparece com a passarola.
- Blimunda procura Baltasar, enquanto em Mafra se faz a sagração do convento, em 22 de Outubro de 1730.
- Durante 9 anos, Blimunda procura Baltasar e vai encontrá-lo em Lisboa a ser queimado num auto-de-fé.
A Soma dos Dias