PEREGRINATIO AD LOGA FERNANDINA: A LISBOA DE PESSOA
(Maria José de Lencastre)
Existirá uma Lisboa de Fernando Pessoa assim como existe uma Praga de Kafka, uma Dublin de Joyce ou uma Trieste de Svevo? Ser-nos-á possível revisitar esta cidade e relê-la, através dos olhos do poeta, como uma cidade emblemática, uma cidade-símbolo? haverá na obra de Pessoa uma cidade que nela se espelha com o seu rosto mais verdadeiro, uma cidade que de mera referência topográfica se transforma, graças à coerência e estrutura dessa obra poética, em metáfora, em signo de poesia?
Um levantamento sistemático ainda está por fazer. No entanto, a aventura é estimulante. Poderíamos começar simplesmente por um inventário do material. E, de imediato, como para qualquer itinerário no Labirinto de Pessoa, deparamos com a surpresa: Lisboa enquanto cidade com as suas ruas, praças, cafés, os lugares em que decorreu, como num teatro sempre invariável, a aventura humana do personagem histórico Fernando Pessoa, não deixou as suas pegadas, ou apenas as deixou em forma de transfiguração provinciana (Ó sino da minha aldeia), nos versos onde obviamente iríamos procurar: na poesia ortónima. Mas, menos obviamente, deixou a sua pegada inconfundível na obra do heterónimo mais querido e talvez mais próximo de Pessoa – na poesia explosiva e simultaneamente nostálgica de Álvaro de Campos. Marcou a prosa ortónima, isto é, as notas intimistas e vespertinas de um Pessoa encerrado consigo próprio a “pôr em ordem a própria vida exterior”; e a prosa semi-heterónima de um Bernardo Soares “ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa”.
É claro que não iremos procurar lembranças de Lisboa na invenção bucólica de um Alberto Caeiro, heterónimo que nunca saiu do seu abstracto outeiro ribatejano, separado do mundo por um pequeno rio que pouco tem a ver com o Tejo. É o clássico jardim onde Cloe ou Lídia, para a breve glória de Ricardo Reis, colham rosas e magnólias, fica bem longe de uma Lisboa de céus ventosos e de casas brancas debruçadas sobre o Tejo. Só Álvaro de Campos passeia pelas ruas que Álvaro de Campos percorre fisicamente todos os dias; mas o seu estar ali não coincide certamente com o seu querer estar ali: (…) pela Rua do Ouro acima pensando em tudo o que não é a Rua do Ouro (in Saudação a Walt Whitman). E sobretudo Bernardo Soares anota no íntimo Livro do Desassossego, os encontros nas ruas e nos cafés que Fernando Pessoa ortónimo, enquanto poeta, parece ocultar por detrás das cortinas metafóricas. “Passam casais futuros, passam os pares das costureiras, passam rapazes com pressa de prazer, fumam no passeio de sempre os reformados de tudo, a uma ou outra porta reparam em pouco os vadios parados que são donos das lojas”.
Mas qual é, pois, a Lisboa que emerge de toda a obra de Fernando Pessoa?
Para começar, há Lisboa da infância. É uma infância (e uma cidade) vista naturalmente com os olhos do “depois” – reinventada como mítico teatro de uma cidade de ouro individual.
Cidade da minha infância pavorosamente perdida… (in Lisbon Revisited, 1926)
E, no entanto, esta infância lisboeta existiu realmente. O primeiro cenário fora o Largo de São Carlos ao Chiado, centro comercial da cidade. Tinha sido outro poeta, um goliardesco António Ribeiro Chiado, frade renegado e autor de “autos” populares, que dera o seu nome àquela zona – a não ser que, como sugere outra etimologia, também ela popular, sem dúvida, não tivesse sido aquele lugar íngreme onde as rodas das carruagens chiavam, a dar o nome ao poeta.
No Largo de São Carlos, Fernando António Nogueira Pessoa nascera a 13 de Junho de 1888, dia de Santo António, padroeiro da cidade, no quarto andar de um antigo edifício, em frente do teatro mais rico e elegante da cidade, o Teatro de São Carlos: teatro este que, desde o ano da sua construção, 1792, oferecera à capital portuguesa o lustre próprio de um “teatro de ópera”, de um teatro destinado à Lírica.
Para Pessoa, esse teatro não é um simples elemento de uma cenografia na qual se desenrola o rito de uma infância urbana. É o pólo em torno do qual gravita toda a espiritualidade da família a que ele pertence: porque o pai do pequeno Fernando, modesto empregado público de dia, torna-se à noite crítico musical do Diário de Notícias, e vai assistir aos espectáculos no templo da Lírica. A lembrança desses anos fica, pois, conotada pela “galantaria” própria de uma representação teatral desfrutada “de fora”, como uma festa de Corte. diz-nos Pessoa, com a voz de Álvaro de Campos, muitos anos depois, ao reconstruir aquela sua infância de conto de fadas:
Não há toque de sino em Lisboa há trinta anos, noite de São Carlos há cinquenta
que não seja para mim uma galantaria deposta
(in Passagem das horas)
Que se trate de uma reconstrução fabulosa e, portanto, de uma transfiguração, é evidente também quando este centro urbano se transforma, noutra altura, numa aldeia artificial. Na infância de todas as crianças há, por convenção, uma aldeia e um sino que remetem para uma felicidade perdida. Se a felicidade do pequeno Fernando Pessoa teve como cenário uma praça de cidade, é lícito que na lembrança essa praça se transforme em aldeia, e que a urbaníssima e elegante Igreja dos Mártires do Chiado se torne numa igreja rural, com um sino que ecoa dolentemente à tardinha.
Anos depois, em resposta a uma pergunta do crítico e amigo João Gaspar Simões, o próprio Pessoa comentará estes versos com o seu desprendimento irónico. “O sino da minha aldeia, meu querido Gaspar Simões, é o da Igreja dos Mártires, ali no Chiado. A aldeia em que nasci foi o Largo de São Carlos” (Carta a J. Gaspar Simões de 11.12.1931).
O universo infantil em que o epicentro da sua memória no Largo de São Carlos é delimitado pelo rio – um rio verdadeiro, neste caso, como o Tejo que se podia ver das janelas de casa:
Era na velha casa sossegada ao pé do rio…
(As janelas do meu quarto, e as da casa de jantar também,)
Davam, por sobre umas casas baixas, para o rio próximo,
Para o Tejo, (…)
(Álvaro de Campos, Ode Marítima)
Do eixo cenográfico de uma mítica paisagem de infância, o Tejo com os seus cais virados para a aventura, com os seus barcos que partem e que chegam, tornar-se-á signo de toda a grande poesia ortónima e heterónima de um Fernando Pessoa que é, simultaneamente, poeta messiânico de um povo marinheiro e poeta por conta própria de metafóricas viagens nunca realizadas. Deste rio de lembrança, como de um sonho longínquo, Pessoa nunca mais se desprenderá:
Todo este tempo não tirei os olhos do meu sonho longínquo
Da minha casa ao pé do rio
Da minha infância ao pé do rio
Das janelas do meu quarto dando para o rio da noite,
e a paz do luar esparso nas águas!…
(Álvaro de Campos, Ode Marítima)
Naquela época, nada perturbara ainda a serenidade e a harmonia da vida, tudo parecia ainda devido e natural: porque ninguém estava morto:
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto.
(Álvaro de Campos, Aniversário)
Esta morte, que é a linha fronteira de duas existências será em cada momento a mágoa do poeta: a mágoa que Álvaro de Campos transferirá para a cidade que lhe serviu de cenário:
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora hoje.
(Álvaro de Campos, Lisbon Revisited, 1923)
E que parece revisitar a mágoa do exilado por excelência das letras portuguesas, Luís Vaz de Camões. Da sua Babilónia de exílio, ao idealizar uma Lisboa-Sião perdida, onde não sabemos o que colocar: se a felicidade perdida ou a dor, Camões, em Sôbolos rios, escreve: “Via que todo o bem passado não é gosto mas mágoa”. Porque o presente, neste sentido, é sempre a ausência do passado:
O que eu sou hoje (…)
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio.
(Álvaro de Campos, Aniversário)
Quando, em Julho de 1893, Joaquim Pessoa morre, consumido pela tuberculosa, a morte paterna faz cair o pano sobre a Lisboa mítica da infância de Fernando.
Na própria cidade o cenário já não é o mesmo, pois a família é obrigada, por motivos económicos, a mudar-se do Largo de São Carlos para um terceiro andar mais modesto no nº104 da Rua de São Marçal, uma daquelas típicas e íngremes calçadas lisboetas que conferem à cidade um carácter tão arcaico e familiar.
Também deste andar mais pequeno, e das suas janelas mais estreitas, se vê o Tejo longínquo. Ao pé, há a Praça das Flores, popular e ruidosa, com as tabernas e lojas de carvoeiros e sucateiros. Nesta casa terá lugar em breve o segundo luto: a morte de Jorge, o irmão mais novo do poeta; e é aqui que nascerá o primeiro heterónimo, aquele Chevalier de Pas que, neste contexto, parece destinado a preencher o vazio e a suprir a necessidade de diálogo de uma criança demasiado sozinha: “Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cerca de amigos e desconhecidos que nunca existiram (…) Lembro, assim, o que me parece ter sido o meu primeiro heterónimo, ou antes, o meu primeiro conhecido inexsistente – um certo Chevalier de Pas dos meus seis anos, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo, e cuja figura, não inteiramente vaga, ainda conquista aquela parte da minha afeição que confina com a saudade. Lembro-me, com menos nitidez, de uma outra figura, cujo nome já não me ocorre mas que o tinha estrangeiro também, que era, não sei em quê, um rival de Chevalier de Pas…” (Carta a Adolfo Casais Monteiro, de 13-1-1935)
O exílio africano termina no ano de 1905, quando Fernando Pessoa regressa definitivamente a uma Lisboa da qual não voltará a separar-se até à morte, senão para curtas excursões aos arredores: Sintra, Cascais, Estoril, uma vez a Évora e, em 1907, a Portalegre a fim de adquirir o material necessário para montar uma tipografia.
Esta segunda Lisboa de Fernando Pessoa é muito mais triste do que a primeira em que o esplendor e a elegância do Teatro de São Carlos são substituídos por pensões baratas, onde o poeta procura preservar a sua secreta intimidade de criador:
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelas no corredor:
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
(Álvaro de Campos, Começo a conhecer-me…)
Sem fazer a lista dos lugares onde pessoa morou, limito-me a constatar que, ao longo da sua vida, o poeta mudou de casa pelo menos quinze vezes, vivendo amiúde em quartos alugados.
Poder-se-á, porém, afirmar que Fernando Pessoa viveu efectivamente nessas casas? A sua vida é inteiramente mental e desenrola-se sempre no “interior” do personagem: quer se encontre num quarto fechado ou na esplanada de um café; solitário, ou entre gente nas ruas da cidade; ou mais uma vez solitário no cais deserto, ou ainda imerso no “bulício de chegada próxima” de um barco que traz gente e notícias de África.
A zona em que pessoa se move e pensa nesses anos é sobretudo a Baixa, centro da cidade junto ao rio: destruído completamente pelo terramoto de 1755, este coração de Lisboa fora reconstruído com critérios de arquitectura iluminista pelo Marquês de Pombal o qual, em lugar de ruelas estreitas e de casas amontoadas na pitoresca desordem criada pela arquitectura casual dos séculos, decidiu abrir ruas mais espaçosas que cruzam geometricamente. Aqui, as três importantes artérias da Rua Augusta, Rua do Ouro e Rua da Prata ligam a imponente praça do Terreiro do Paço, antecâmara de Lisboa sobre o rio, com a mais central praça do Rossio. Pessoa frequentava esta zona comercial onde, ao lado dos Grandes Armazéns, dos escritórios das agências marítimas que parecem trazer a maresia de remotas aventuras marinheiras para o coração da cidade, os cafés invadem alegremente os passeios com as suas mesas: aqui se encontram habitualmente, com um cerimonial ambiente mittel-europeu que contrasta com o cunho marítimo da cidade, intelectuais e artistas. As ruas mais pequenas, que cortam ou correm paralelamente as três grandes artérias principais, têm o nome de artesãos e ofícios característicos: Rua dos Retroseiros, Rua dos Fanqueiros, Rua dos Correeiros, Rua dos Douradores.
Os escritórios onde Pessoa desempenhou durante toda a vida o papel de modesto empregado, de tradutor de cartas comerciais, ficavam todos na Baixa: na Rua da Prata, na Rua Augusta, no Campo das Cebolas, na Rua da Assunção, no Largo do Corpo Santo, esquina com a Rua do Arsenal, na Rua dos Fanqueiros… Um exemplo desta sua rotina quotidiana pode ler-se numa página do diário de 1913: “27.3 (Quinta). Saí de casa cedo. Almocei no restaurante Pessoa, mediante empréstimo de João Correia de Oliveira. Depois fui encontrar-me com o Garcia Pulido na Brasileira do Rossio. Falámos até às 2 e meia. Devido ao advento de alguns indivíduos proprietários, a conversa, atravessando a lei de contribuição predial, descambou em horrorosamente depressiva. Depois, saindo o Pulido, estivemos dolorosamente a entredar-nos força para o combate. Escritório do Lavado; 2 cartas. Depois na Brasileira com o Torres d’Abreu. Vim para o escritório do Mayer e aí estive, durante uma chuva tremenda, até às 7 e meia. Escrevi à tia Lisbela e para o Natal (datando de 25). Saí, fui à redacção do ‘Teatro’ arranjar um tostão para o carro. Saí de lá às 8 e meia. Estavam apenas Boavia e camarilha. – Em casa de noite. dormi pegadamente das 10 até manhã, mas um sono triste, cheio de sonhos, fisicamente doloroso.”
Uma vez despachada a correspondência nos escritórios, Pessoa passa pelo café, onde intelectuais e artistas discutem o que se faz “lá fora”, o que acontece no mítico Paris das vanguardas.
É nestes cafés que Pessoa encontra Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Armando Cortes-Rodrigues, Alfredo Guisado, João Correia de Oliveira, António Ferro, Rui Coelho, Santa-Rita Pintor, José Pacheco, D. Tomás de Almeida e outros. Os nomes dos cafés são conhecidos. Sobretudo as duas “Brasileiras”, a do Chiado e a do Rossio. E ainda: o “Café Martinho”, no Largo do Regedor; os “Irmãos Unidos”, no Rossio, que pertencia a Alfredo Pedro Guisado; a Cervejaria Jansen, na Rua Victor Cordon; o Gibraltar no Cais do Sodré, e mais tarde o “Montanha” dos domingos, no Terreiro do Paço, hoje desaparecidos; e o mais célebre de todos, o “Martinho da Arcada”, que ainda lá está no Terreiro do Paço.
As vanguardas históricas portuguesas, muitas delas invenção de Fernando Pessoa, nascem nestes cafés, e o Orpheu, embora tivesse a sua redacção nominal na Livraria Brasileira da Rua do Ouro, foi planeado, discutido e realizado à mesa destes cafés da Baixa.
O almoço quotidiano do poeta é quase sempre no restaurante Pessoa, na Rua dos Douradores; o aconchego do copinho de aguardente vai buscá-lo à adega Val do Rio, na Rua dos Correeiros. E, no fim da tarde, durante os tempos do seu namoro com Ophélia, o percurso fixo, do escritório onde ambos trabalham para casa da irmã onde ela mora, é sempre o mesmo: Largo do Corpo Santo – Rua do Arsenal – Rua do Ouro – Largo D. João da Câmara. E, segundo o filho do seu patrão Moitinho de Almeida, a tabacaria que está na base da elucubração poética do poema homónimo, “era na Rua dos Retroseiros, esquina para a Rua da Prata, no canto fronteiro ao do escritório”, e chamava-se a Havaneza dos Retroseiros.
Transitório, ambíguo, inconstante e angustiado, Pessoa nunca se identifica com a serenidade e a eterna impenetrabilidade do cenário que o circunda. Não se abandona liricamente a esta paisagem, mas vê-a com a lucidez, a objectividade e a nitidez quase alucinada de um estrangeiro que, ao visitar pela primeira vez uma cidade desconhecida e regista, observa, cataloga:
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo
E tudo é estrangeiro, como tudo.
(Álvaro de Campos, Tabacaria)
Não, ele não pertence a esta cidade, porque não pertence a nenhum lugar. A sua situação lembra a história contada por Saint-Exupéry acerca do judeu que tem de partir e se despede do amigo: “Tenho muita pena que tu vás para longe”, diz-lhe o amigo. “Longe de quê?”, responde aquele que será sempre um estrangeiro em qualquer lado.
Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo –
Transeunte inútil de ti e de mim
Estrangeiro aqui e em toda a parte.
(Álvaro de Campos, Lisbon Revisited, 1926)
A ideia de que o mundo todo é exílio e de que, como para o personagem do drama O Marinheiro, a pátria não existe em lugar algum, em vez de estimular o movimento, conduz à inércia, ao horror de qualquer mudança.
Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça,
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea.
(Álvaro de Campos, Nunca, por mais...)
A experiência apenas traz consigo as lembranças desagradáveis, do “frio especial das manhãs de viagem”. E se, de facto, “a melhor maneira de viajar é sentir”, uma maneira para não abandonar Lisboa e para disfrutar da experiência do viajante é ir à estação ou ao cais e ali, como espectador, participar das viagens dos outros:
Tinha agora vontade
De ir esperar ao comboio da Europa o viajante anunciado
De ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo.
(Álvaro de Campos, Chega através do dia…)
O cais, de onde se vê chegar aquele paquete de África que um dia o levou também a ele para uma viagem sem regresso, torna-se local de encontro e símbolo de poesia.
É aqui, nesta zona extrema de Lisboa, que o podemos encontrar sentado sozinho num dia de verão, ou por entre a multidão dos que chegam:
Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido.
(Álvaro de Campos, Ode Marítima)
| Rua Coelho da Rocha | Casa onde viveu com a mãe e irmã |
| Rua Luís Soriano, 182 | Hospital de São Luís, onde morreu |
| Cemitério dos Prazeres, Rua 1, Dta. | Jazigo 4371 da família Pessoa |
| Rua da Academia das Ciências, 19 | Convento de Jesus, onde funcionou o Curso Superior de Letras |
| Claustro do Mosteiro dos Jerónimos | Onde repousam os seus restos mortais |
| Largo de S. Carlos, 4 4ºesq. | “A aldeia onde nasci foi o Largo de S. Carlos” |
| Rua de S. Nicolau, 4 | Estabelecimento da Soc. Com. Abel Pereira da Fonseca, onde foi fotografado em “flagrante delitro” |
| Rua da Prata, 71 1º | Firma Moitinho d’Almeida Lda., onde foi correspondente comercial |
| Rua da Prata, 2 | Café Martinho da Arcada |
| Travessa do Fala-Só, 24 | Direcção da revista Athena |
| Rua da Conceição da Glória, 38 | Local da tipografia Ibis de que foi proprietário |
| Rua da Assunção, 42 2º | Firma Félix, Valladas e Freitas, Lda., onde conheceu Ophélia Queiroz |
| Rua Garrett, 120 | Café A Brasileira do Chiad0 |
A Soma dos Dias