O POETA COMO FINGIDOR
Observa Pessoa que “três espécies de emoções produzem grande poesia:
- emoções fortes mas rápidas, apreendidas para a arte logo que passam mas não antes de haverem passado;
- emoções fortes e profundas na recordação que deixam longo tempo depois;
- falsas emoções, ou seja, emoções sentidas no intelecto.
A base de toda a arte é não a insinceridade, mas sim uma sinceridade traduzida.” Assim, o poeta “finge” emoções só imaginadas, outras vezes, emoções que humanamente sentiu. No segundo caso há ainda um fingimento porque as emoções passam a ser forma, são filtradas, transpostas em função da expressão poética – e dizer por palavras implica um processo de intelectualização.
“A arte é intelectualização da sensação (do sentimento) através da expressão. A intelectualização é dada na, pela, mediante a própria expressão.” Lembro, para melhor elucidar, a máxima de Campos: “Toda a emoção verdadeira é mentira na inteligência, pois se não dá nela.” (in Páginas de Doutrinação Estética) Para a emoção ser esteticamente verdadeira tem de dar-se (ou de repetir-se, transformando-se) na inteligência do poeta.
E a emoção do leitor será ainda outra porque as palavras do poema são estímulos que, provocando um estado de alma, não o determinam na totalidade. No acto de ler convergem o objectivo e o subjectivo.
(Jacinto Prado Coelho, A Letra e o Leitor)
TEMÁTICAS PESSOANAS – O ORTÓNIMO
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A dor de pensar |
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O Eu fragmentado |
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O tempo, factor de desagregação |
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O tédio, o cansaço de viver |
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O prazer de ler |
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A Soma dos Dias
Comentários
Ola! acho que isto e muito bom mas tambem acho que falta aqui ainda muitas coisas sobre o pessoa ortronima!
Concordo! Tenho tido pouco tempo… O blog de 11º ano (teresamarques2009.wordpress.com) está mais completo. Votos de bom ano de estudo e bom ano novo! =))