2. F. PESSOA (ortónimo)

O POETA COMO FINGIDOR


Observa Pessoa que “três espécies de emoções produzem grande poesia:

  • emoções fortes mas rápidas, apreendidas para a arte logo que passam mas não antes de haverem passado;
  • emoções fortes e profundas na recordação que deixam longo tempo depois;
  • falsas emoções, ou seja, emoções sentidas no intelecto.

A base de toda a arte é não a insinceridade, mas sim uma sinceridade traduzida.” Assim, o poeta “finge” emoções só imaginadas, outras vezes, emoções que humanamente sentiu. No segundo caso há ainda um fingimento porque as emoções passam a ser forma, são filtradas, transpostas em função da expressão poética – e dizer por palavras implica um processo de intelectualização.

“A arte é intelectualização da sensação (do sentimento) através da expressão. A intelectualização é dada na, pela, mediante a própria expressão.” Lembro, para melhor elucidar, a máxima de Campos: “Toda a emoção verdadeira é mentira na inteligência, pois se não dá nela.” (in Páginas de Doutrinação Estética) Para a emoção ser esteticamente verdadeira tem de dar-se (ou de repetir-se, transformando-se) na inteligência do poeta.

E a emoção do leitor será ainda outra porque as palavras do poema são estímulos que, provocando um estado de alma, não o determinam na totalidade. No acto de ler convergem o objectivo e o subjectivo.

(Jacinto Prado Coelho, A Letra e o Leitor)


TEMÁTICAS PESSOANAS – O ORTÓNIMO



A dor de pensar

  • Ela canta, pobre ceifeira
  • Leve, breve, suave
  • Gato que brincas na rua
  • Não sei se é sonho se realidade
  • Liberdade
  • Conselho
  • Não sei ser triste a valer

O Eu fragmentado

  • Não sei quantas almas tenho
  • Deixo ao cego e ao surdo
  • Entre o sono e o sonho
  • Viajar! Perder países!
  • Tenho tanto sentimento

O tempo, factor de desagregação

  • O andaime
  • Ó sino da minha aldeia
  • No entardecer da terra
  • Pobre velha música
  • Ah, como incerta na noite em frente

O tédio, o cansaço de viver

  • Bóiam leves, desatentos
  • A aranha do meu destino
  • Nada sou, nada posso, nada sigo
  • Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar

O prazer de ler

  • Quando as crianças brincam
  • Não sei, ama, onde era
  • Eros e Psique
  • O menino de sua mãe
  • Abdicação
  • Emissário de um rei desconhecido

Comentários

  • Oxana  Em Dezembro 19, 2011 às 4:40 pm

    Ola! acho que isto e muito bom mas tambem acho que falta aqui ainda muitas coisas sobre o pessoa ortronima!

    • Teresa Marques  Em Dezembro 24, 2011 às 11:02 pm

      Concordo! Tenho tido pouco tempo… O blog de 11º ano (teresamarques2009.wordpress.com) está mais completo. Votos de bom ano de estudo e bom ano novo! =))

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